domingo, 18 de março de 2012

Acaso.

Entre uma palavra e outra, olhares eram trocados, fiéis e seguros de suas intenções – até mesmo das segundas. Conversa vai, conversa vem, e nada mais parece incomodá-los, nem o fato de estarem cara a cara. Esse encontro mostrou a eles que o tempo não mudou nada, só guardou tudo numa caixinha e jogou em alto-mar. Tudo permaneceu ali, nadando, sem se deixar afundar. Ela mais segura, mais mulher. Ele mais homem, mais ele. O dia chuvoso não era problema para eles, pelo contrário, sentiram-se confortáveis assim. Quem diria: Os dois, novamente. Entre tantos caminhos diferentes na cidade, por que escolheram o mesmo? Os sorrisos em seus rostos só confirmam que tudo fora recíproco naquele momento, a emoção de se reencontrarem. No fundo, sabiam que não era coincidência. Pouco importou os detalhes e a hora e as pessoas que ali passavam, o importante eram os dois, o momento e as gotas que caíam e molhavam suas faces. Ambos lembraram que não poderiam se atrasar em compromissos e, infelizmente, tiveram que seguir caminhando rumo a seus destinos. Com o mesmo sorriso de quando se encontraram, se despediram. E seguiram indescritivelmente felizes. Aquele dia ficará na lembrança dos dois.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ao contrário

O meu problema não é físico, tampouco psicológico, é... sentimental. O meu único problema, na verdade, é mulher. Uma, duas, três. Quem sabe até quatro. Quem lê pensa que sou um fracassado nesse mundo de amor, mas é ao contrário. Gosto de uma, penso em outra e, quando acho que finalmente estou livre, acontece tudo junto; e de novo. É como um ciclo.
Problema para os outros, talvez pra mim. Não, não pensem que engano as mulheres desse jeito, eu acabo é me enganando mesmo. Queria que fosse algo carnal, sinceramente. Aquela coisa de sair com uma hoje, ter um encontro amanhã e já marcar outro para a semana que vem. Ter um cardápio repleto delas, que tal?! (não!). Envolve muito mais que só corpo e atração, envolve sentimento.
Me sinto um grande canalha. E você também acha que sou, aposto. Mas não é culpa minha se elas se aproveitam de tanto charme. Legítimo canalha, colocando a culpa nelas, tão mais homens que eu mesmo! Não sei me controlar, é isso. Quando me dou conta, já estou envolvido com uma e depois outra e depois mais outra. Todas, ao mesmo tempo.
É como se fosse impossível não querer conquistá-las, mostrar que eu posso tê-las sem o envolvimento físico, apenas o sentimental. Sou um caso raro. Que homem é capaz de conquistar uma mulher se a intenção não é levá-la para cama? Aqueles que querem uma namorada. Ora, vamos. Vocês me entenderam! No fundo, no fundo, todos nós sabemos quais são as segundas (terceiras, quartas...) intenções de uns convites para sair.
O problema não são elas, sou eu. É falta de auto confiança: Quero fazer com que gostem de mim, deixá-las comer na minha mão e... E? E que não tem "e", não faço mais nada depois. Já sei qual é o meu problema: Sou um grande canalha. Um canalha do avesso, o que é ainda pior.


PS: Ainda vou desvendar o segredo da mente masculina.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quase tudo.

Vivemos num mundo onde o "quase" é considerado fato, o acontecido. Quase fui lá, quase falei, quase chegamos perto de acontecer. Digo isso por experiência e "pensar demais faz a gente desistir". Sim! Quanto mais pensamos, mais empacamos nesse maldito quase. O problema está aí, juntando o inútil ao desagradável: O futuro do pretérito e o quase. Eu iria, eu falaria, eu amaria, se não fosse quase. Tudo aconteceria se eu não pensasse demais. Tudo acharia seu devido lugar. Quase já não gosto mais, quase já não faz mais diferença, quase esqueci, quase aconteceu um auto boicote. Tentei me enganar com essas falsas afirmações que, na verdade, não afirmam nada, mas quase. O quase não é concreto, é uma verdadeira ilusão. Uma quase verdade. Sou uma quase nova pessoa, quase mudada, totalmente cansada desse "quase". Sou um quase tudo desse nada. Sou exatamente o nada desse tudo que restou. Eu poderia... bem, eu não poderia quase nada. Quase parei de falar quase, então pensei que eu poderia, sim, quase tudo.